• Dra. Édily Tourinho

Métodos contracepitivos


O que são métodos anticoncepcionais?

Os métodos anticoncepcionais são ações, dispositivos ou medicamentos que visam prevenir ou reduzir a possibilidade de uma mulher engravidar, mesmo mantendo uma vida sexual ativa. A maioria desses métodos deve ser utilizada pelas mulheres, mas há alguns que devem ser usados pelo seu parceiro sexual. Na parte clínica, alguns métodos contraceptivos são usados para o tratamento de sintomas de patologias, tais como sangramentos irregulares, cólicas menstruais, tensão pré-menstrual, endometriose e síndrome dos ováriospolicísticos.


Por que usar métodos anticoncepcionais?

Na maior parte das vezes, os métodos anticoncepcionais são usados por mulheres sadias que desejam manter uma vida sexual ativa, mas não desejam engravidar. Às vezes, são também usados por mulheres que não podem engravidar por motivos de saúde. Algumas medicações anticonceptivas são empregadas terapeuticamente, como tratamento, em certas situações mórbidas.


Qual é o mecanismo de ação dos métodos anticoncepcionais?

Alguns deles visam impedir o encontro entre óvulo e espermatozoide e, assim, a fertilização, enquanto outros impedem a fixação do ovo à parede do útero e, consequentemente, o seu desenvolvimento. Outros impedem a ovulação, a fertilização ou a fixação do ovo à parede uterina (nidação).


Quais são as complicações possíveis com o uso de métodos anticoncepcionais?

Algumas medicações ou combinações de medicações usadas como anticonceptivas podem gerar efeitos colateraispotencialmente graves, como tromboflebites, doenças cardíacas e câncer. Os métodos que envolvem cirurgia comportam os riscos comuns ligados a elas, que são mínimos. Alterações dos ciclos menstruais também são comuns, sobretudo nas fases iniciais do uso de um determinado método. Mas, a complicação mais embaraçosa de todas é representada pela falha do método, resultando numa gravidez indesejada.


Quais são os principais métodos anticoncepcionais?

Há uma grande variedade de métodos anticoncepcionais, alguns mais naturais e outros completamente artificiais, alguns definitivos, outros reversíveis, uns de longa duração, outros de atuação muito breve. Alguns métodos tem eficácia maior que outros, mas quase todos oferecem uma proteção estatisticamente muito significativa, embora atualmente não exista nenhum método anticoncepcional que seja 100% eficaz.

Eis os principais métodos:

Método da“tabelinha”

​O método da tabelinha consiste em que a mulher evite a relação sexual durante o seu período fértil, fazendo para isso uma tabela de seus ciclos menstruais. Entretanto, esse é, dentre todos, o método mais inseguro de prevenir uma gravidez. Isso porque diversos fatores podem alterar o ciclo reprodutivo da mulher e a gravidez é uma possibilidade em qualquer relação sexual desprotegida.

Coito interrompido

​O coito interrompido talvez seja o método contraceptivo mais antigo que exista. Consiste em interromper a relação sexual antes que o homem atinja a ejaculação, retirando o pênis e ejaculando fora da vagina. O método é incômodo para ambos os parceiros e possui baixa efetividade, pois as secreções do pênis na fase de excitação podem já conter espermatozoides vivos. Além disso, o controle masculino sobre a ejaculação nem sempre é fácil e falha muitas vezes. A vantagem desse método é não depender de medicação ou qualquer outra intervenção sobre o organismo; a desvantagem é que ele não previne contra as doenças sexualmente transmissíveis. Sua eficácia é de cerca de 96%.

DIU (dispositivo intrauterino)

​É um dispositivo que é inserido pelo médico no interior do útero da paciente, podendo ficar lá durante cinco a dez anos, dependendo do produto. As grandes vantagens deste método são a comodidade posológica e sua alta eficácia. Embora haja relatos de casos de gravidez em mulheres que estavam usando o dispositivo, isto é raro. Existe o DIU de cobre (que não contém hormônio) e o DIU Hormonal . O DIU de cobre, por não conter hormônio, não altera a frequência das menstruações, embora possa causar um fluxo menstrual mais intenso e possível aumento das cólicas menstruais no primeiro trimestre do seu uso. Já o DIU com hormônio, pode melhorar as cólicas menstruais e levar à ausência de menstruação em 30 a 40% das mulheres no final do primeiro ano de uso do dispositivo. Se a mulher decidir engravidar, basta retirar o DIU para que esteja apta a conceber.

Camisinha masculina

​A camisinha masculina é um envoltório (uma espécie de luva) feito de látex ou poliuretano que envolve o pênis e contém o esperma em seu interior, impedindo que os espermatozoides sejam derramados na vagina e ascendam ao útero, prevenindo a gravidez. Além de sua alta eficácia, o método também é eficiente na proteção contra doenças sexualmente transmissíveis (DSTs).

Camisinha feminina

​A camisinha feminina consiste em um tubo feito de poliuretano acoplado a dois aneis flexíveis. Cada anel fica em uma extremidade, o que fica na parte que vai estar próxima ao colo do útero é fechado e o da outra extremidade, que vai ficar fora da vagina, é aberto. A camisinha feminina recolhe o produto da ejaculação, não permitindo que ele tenha contato com a vagina e o útero. Além de ser um dos métodos contraceptivos mais eficientes, apresenta também alta eficácia na prevenção da transmissão de doenças sexualmente transmissíveis.

Anel vaginal

​O anel vaginal é um pequeno disco flexível de superfície lisa, não porosa e não absorvente, que contém os hormônios etonogestrel e etinilestradiol, que são liberados na corrente sanguínea para inibir a ovulação. Ele deve ser colocado na vagina no quinto dia da menstruação, permanecendo ali durante três semanas, após as quais se faz um intervalo de sete dias até a colocação de um novo anel. Quando usado corretamente, a sua eficácia é de 99%.

Adesivo anticoncepcional

​O adesivo anticoncepcional é um material aderente que deve ser colado na pele da mulher e permanecer na mesma posição por uma semana. Esse método contraceptivo possui em sua fórmula a combinação de dois hormônios que são liberados na circulação de forma contínua por sete dias. O primeiro adesivo deve ser colocado no primeiro dia da menstruação. O adesivo pode ser colocado em diversos locais do corpo, como braço, abaixo da barriga, nas costas ou nas nádegas. É um método contraceptivo muito eficaz e possui poucos efeitos colaterais.

Diafragma

​O diafragma é um fino anel de borracha, o qual impede a entrada dos espermatozoides no útero. Ele deve ser colocado dentro da vagina cerca de 15 a 30 minutos antes da relação e só é retirado 12 horas após o ato sexual. A eficácia do método, contudo, não é muito grande e apresenta uma chance de falha de 10%. Por isso, deve ser usado juntamente a um espermicida ou espermaticida para aumentar sua eficácia.

Ligadura das trompas

A ligadura de trompas, também chamada laqueadura tubária ou simplesmente laqueadura, é um método de esterilização definitiva, na qual as trompas da mulher são amarradas ou cortadas, evitando que o óvulo e os espermatozoides se encontrem. Na verdade, a ligadura de trompas é uma esterilização e não propriamente um método anticoncepcional. A vantagem desse método está em que não altera o ciclo menstrual e nem causa alteração nos níveis hormonais femininos. A principal desvantagem está em não poder ser revertido.

Vasectomia

A vasectomia é a ligadura dos canais que levam os espermatozoides do testículo até as outras glândulas que produzem o esperma. Após a vasectomia, a ejaculação continua normal, só que ocorrerá sem a presença de espermatozoides. É uma cirurgia de esterilização voluntária definitiva e, por isso, deve ser considerada como um método definitivo de impedir a concepção, portanto, uma esterilização.

Injeção anticoncepcional

​A injeção anticoncepcional possui uma combinação de progesterona e estrogênio, com doses de longa duração. Existem injeções para uso mensal ou trimestral, que devem ser aplicadas na região glútea. Para os anticoncepcionais trimestrais, a vantagem é que são aplicados a intervalos longos e a desvantagem é que provocam a ausência de menstruação no início do tratamento. O anticoncepcional suspende a ovulação, reduz a espessura endometrial e espessa o muco cervical. Este método contraceptivo é muito eficaz, com apenas 0,1 a 0,6% de falha para a injeção mensal e de 0,3% de falha para a injeção trimestral.

Implante anticoncepcional

​O implante anticoncepcional é uma pequena cápsula que contém o hormônio etonogestrel e que é introduzido embaixo da pele. Ele impede a liberação do óvulo pelo ovário, além de alterar a secreção do colo do útero, dificultando a entrada de espermatozoides. Existem implantes com duração de até três anos, com eficácia de 99%.

Pílula anticoncepcional

A pílula hormonal é o método anticoncepcional mais usado atualmente. Ela tem, em sua base, uma combinação de hormônios, geralmente estrogênio e progesterona sintéticos, os quais inibem a ovulação e modificam o muco cervical, tornando-o hostil aos espermatozoides. É considerada muito eficiente na prevenção da gravidez e seu índice de falha é de apenas 0,1%. Além dos efeitos contraceptivos, a pílula hormonal também pode ser utilizada na terapia de algumas doenças que acometem uma parcela das mulheres. Existem também as pílulas só com progesterona em sua composição, as chamadas minipílulas, indicadas para mulheres que estão amamentando e que querem evitar uma nova gravidez.

Pílula do dia seguinte

Indicada apenas para a contracepção de emergência, após a mulher ter tido uma relação sexual sem as devidas precauções anticoncepcionais. A pílula mais usada é composta por levonorgestrel, uma progesterona sintética, que atua inibindo a ovulação e a fertilização do óvulo pelo espermatozoide e impedindo que o óvulo fecundado se aloje no útero.

Espermaticida ou espermicida

​Espermaticida ou espermicida é uma substância química que imobiliza e destrói os espermatozoides. Os espermicidas devem ser introduzidos dentro da vagina antes da relação sexual. Esse método pode ser utilizado juntamente com o DIU, a camisinha ou o diafragma. A sua eficiência, contudo, é menor que a dos demais métodos e não protege das doenças sexualmente transmissíveis.

Fonte: AbcMed

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